O Rei – Um brutal drama histórico | Review

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O novo longa que é a possível aposta da Netflix para a temporada de premiações estrelado por Timothée Chalamet, conta a história do Rei Henrique V e de sua trajetória pelo reinado de uma maneira um tanto intimista.

O Rei funciona também como um Épico, mas eu diria que é um pouco de cada coisa. Um Épico Drama Histórico. O longa é contado quase inteiramente sob a perspectiva do personagem de Timotheé, que lida com as responsabilidades de ser um novo rei jovem que carrega o peso das decisões duvidosas do reinado anterior de seu pai.

É impossível falar de O Rei sem falar da atuação de Timotheé como Rei Henrique, não só por ser excelente, como esse é um longa que depende de uma ótima entrega de seu protagonista para fluir de maneira crível e profunda. O roteiro estabelece certas coisas que podemos esperar do personagem de Timotheé, mas não é tudo, o que acaba o tornando um personagem deveras imprevisível pelos primeiros atos do filme.

Mas todas essas lacunas que o roteiro deixa em especulação, a entrega de Timotheé não só nos aproxima do personagem, como nos faz compreender e sentir cada uma de suas ações e situações. Cada momento de silêncio que observamos de seu personagem transmite uma profunda sensação de dúvida, raiva, tristeza, enquanto ao mesmo tempo tenta manter sua postura como Rei. Com tudo isso posso afirmar, o Oscar de Timotheé está cada vez mais perto.

Timotheé como Rei Henrique V

Não é apenas a atuação de Timotheé que ajuda a carregar o longa, mesmo que seja o mais justo a se destacar. O elenco coadjuvante entrega uma excelente performance como por exemplo Joel Edgerton como um dos conselheiros do Rei e principalmente Robert Pattinson, que mesmo com o pouco tempo de tela que tem, rouba a cena com seu personagem excêntrico, cruel e cativante.

Pode ficar a impressão de que ele seja caricato, por ser apenas seria mais um exemplo de personagem com comportamento excêntrico, só que aqui o diferencial mesmo é a excelente atuação de Pattinson que nos deixa com um grande gostinho de quero mais.

Robtert Pattinson como Príncipe da França

O pouco tempo de tela de Pattinson acaba se tornando um problema quando ele é vendido como o grande vilão do longa, com destaque em trailers e até quando aparece roubando a cena, para no fim seu tempo de tela ser resumido a bem menos coisa do que poderia se esperar.

Toda a atmosfera crua e realista do longa é feita para nos aproximar de uma história real fazendo-a ficar o mais verossímil possível, sendo realizada com a junção de todo o elenco, junto ao roteiro que estabelece um ar de desconfiança em toda interação criada pela narrativa, junto a palheta de cores acinzentada e morta com a trilha sonora e fotografia contemplativa às dúvidas de seus personagens e a guerra.

Palheta de cores predominantemente acinzentadas

As cenas de batalha e guerra aqui são sufocantes. Não há uma coreografia de batalha épica e emocionante, a batalha aqui é a mais brutal e crua que se teve em tempos medievais. As longas e sufocantes sequências de batalha com personagens se perdendo em meio ao chão escorregadio e ao peso de suas armaduras, tantos homens amontoados que mal conseguem se mexer, é tudo muito bem realizado e verossímil, nos fazendo compreender toda a dificuldade e tensão da batalha que estamos assistindo.

Uma das cenas de batalha

O longa mantém um bom ritmo como drama histórico e épico de guerra, caminhando por esses dois gêneros de maneira orgânica e interessante. O que acredito ser o diferencial nesse filme em meio a tantos filmes de guerras medievais (além das sequências de batalhas).

No fim, O Rei da Netflix é um ótimo drama histórico e épico de guerra medieval, que peca em não saber aproveitar certas possibilidades e personagens em sua narrativa que o levariam para um patamar ainda mais memorável, mas que entrega muito bem as outras de suas propostas com atuações excelentes, o fazendo ser uma experiência satisfatória.

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