Estudante da UFPI defende TCC sobre mangás e animes e cita Itachi

0

Se tornou comum, no ambiente escolar, os professores citarem produções culturais para exemplificar ou facilitar a explicação de um assunto aos alunos. Filmes, livros e até histórias em quadrinhos são usadas comumente como auxílio didático. Mas ainda é incomum ver mídias orientais, como animes e mangás sendo utilizadas como recurso didático nas escolas, apesar da grande popularidade entre os mais jovens, talvez por preconceito ou por falta de conhecimento de alguns professores.

Foi com esse pensamento que a estudante Juliane Ferreira, do curso de geografia na Universidade Federal do Piauí, defendeu seu trabalho de conclusão de curso entitulado “Esse é meu jeito ninja de ser: Animes e mangás no ensino da geopolítica“.

Juliane afirma que a principal motivação para fazer esse trabalho é justamente o preconceito que existe com animes e mangás no meio acadêmico. Segundo a estudante, os profissionais aceitam bem o uso de livros ou histórias em quadrinhos, mas que existe uma rejeição ao uso dessas mídias orientais.

“Eu queria fazer algo pra quebrar esse preconceito dentro do meio acadêmico”, explicou Juliane ao 1 Real. “A diferença entre eles [Livros, HQs e mangás] é quase mínima, mas as pessoas insistem em aceitar um enquanto desprezam o outro”.

Para exemplificar a possibilidade de animes trazerem reflexões úteis no ensino, Juliane citou o personagem Itachi Uchiha, do mangá Naruto. Na citação, Itachi traz uma fala que pode ser usada para uma reflexão sobre diferentes culturas e suas noções de certo e errado. Veja a fala trazida no trabalho:

“As pessoas vivem apegadas aquilo que traduzem como correto e verdadeiro, assim elas definem a realidade. Mas o que significa o correto e o verdadeiro? Meramente conceitos vagos e subjetivos… A realidade deles pode muito bem ser uma miragem. Podemos considerar que todos simplesmente vivem em seu próprio mundo, amarrados e cegos por suas crenças, não acha?”, questiona Itachi em uma cena do mangá.

Com a grande produção cultural japonesa e a variedade de temas trazidos em animes e mangás, o trabalho abre um importante espaço para a discussão da importância dessas obras em um processo de ensino mais dinâmico. Juliane afirma que, apesar do tema pouco convencional, ela teve bastante apoio de seu orientador, que reconheceu a importância do tema.

Escolhi um orientador que já tem trabalhos com o uso de HQs em sala de aula e eu sabia que ele seria uma ótima ajuda. Ele conseguiu livros sobre o tema e me ajudou com a escola onde fiz a experiência“, relatou a estudante. Ela afirmou ainda que a banca avaliadora foi bem receptiva ao tema, concedendo nota máxima ao trabalho. Juliane disse que a falta de trabalhos semelhantes e referências foi um desafio a ser superado mas abrir esse debate é uma grande passo para o reconhecimento da cultura japonesa nos meios acadêmicos e escolar.

Deixe uma resposta